Voltar Satisfeito

27.6.14

Caminham pela avenida com camisas amarelas ou verdes, é raro ver alguém com a camisa azul da seleção brasileira (que acho ser a mais bonita), ainda sim vejo algumas pessoas usando. Todos correm, fazem barulho com apitos, passam spray das cores da bandeira nos cabelos, pedem a primeira rodada de cerveja nos barzinhos, estava nublado, e raios de um sol glorioso perfurava cruelmente nuvens chumbeadas lá no alto, no céu esbranquiçado, nem sinal de azul. O meu carro atinge 60 por hora, mas é por uma boa causa, é o primeiro jogo da copa do mundo e todos nos darão um desconto pelo excesso, todos unidos por uma causa e por um amor maior em comum.  Gritos de guerra, camisas amarelas e bandeiras amarradas no pescoço como uma capa de super herói, somos super torcedores nessa tarde, na playlist estava tocando Boys Don’t Cry, o ritmo animadinho da boy band me levava para cima, e eu adorava tudo isso, adorava o céu nublado, adorava ver que todos nós somos um só e odiava, odiava com cada veia do meu corpo pulsando esse nacionalismo forçado que o futebol, em especial a copa, impõe sobre nós. Com suas propagandas inspiradoras e sensibilizantes enfiam lá na garganta:
É o seu país, é a sua seleção, você vai pagar por isso e vai torcer, como se sua vida dependesse do resultado no fim de cada partida.
Mas não depende, e daí? 
Você não sente o vazio? Algo abaixo do estômago, quando tem que voltar para casa? Quando a partida acaba? O êxtase passou, e toda a animação e crença de que éramos um só se dissipou. Por que isso acontece? Esse evento era para nos completar e nos lembrar de como somos fortes unidos, será que esse vazio se instala por sermos excessivamente humanos, saturados de carência? 
É só um jogo, que você pagou para se divertir. É o pão e circo atual, e ninguém consegue enxergar, só não transmitem a carnificina pela televisão pelo simples motivo de que hoje isso é proibido e se não fosse, com certeza transmitiriam e com certeza a programação teria um público fiel e afoito, tal como com o futebol.
Nossas camisas amarelas desbotam, a cerveja esquenta, a partida acaba, e não me venha com essa de que vamos entrar para a história (estamos rumo ao hexa pela terceira vez se não me falha a memória), porque quando o jogo termina você sente aquele vazio, sabe que está sendo enganado e manipulado pelo falso brilho do verde e amarelo que prometem as propagandas por todas as partes.
Eu não sentiria vazio algum se fizessem-nos o favor de melhorar a educação, se preenchessem o vazio nos estômagos e nos cérebros de crianças pobres, ou o vazio dos buracos em interestaduais, o vazio estamos vazios, embora transbordando de indignidade. Se ama tanto sua pátria como afirma ao cantar o hino nacional, porque não cuida dela? Porque não a mantém limpa? E digo isso em todos os aspectos. 
Ô pátria amada, idolatrada... Deveríamos dizer, Ó seleção amada, idolatrada. Só nos lembramos de que somos brasileiros em copa mundial ou em jogo do país em questão. Não tenho orgulho em dizer eu sou brasileira. Sinto-me suja por carregar essa nacionalidade no sangue. 
Estou sendo franca, pelo menos tenho a coragem de dizer isso, não há motivos pelos quais dizer sou brasileiro com muito orgulho com muito amor , nossa nação está manchada, e passou da hora de mudarmos isso. É claro que não expulsaremos toda a sujeira de nosso país, não é impossível, talvez inviável, um passo de cada vez, para que enfim possamos por a mão no peito e dizer com franqueza tenho orgulho de ser brasileira. Está na hora de voltar satisfeito para casa não acha?

KIM.

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