Resenha: Palo Alto

11.10.14
Efeito luminoso Galaxy adicionado por mim. Não é o poster promocional real do filme.


Um filme cheio de angústia por parte dos personagens. Um filme que desmistifica o ar de liberdade adolescente problematizando o cotidiano de uma sociedade de classe média na cidade de Palo Alto na Califórnia. Uma versão leve de Skins. E você nunca sabe o que vai acontecer em Palo Alto.


Sempre a um passo da insanidade
O filme é baseado no livro Palo Alto escrito pelo (meu) ator (favorito) James Franco, não tem versão brasileira para a nossa infelicidade. Sua inspiração original para escrever as histórias era preservar a memória de um amigo de infância turbulento chamado Ivan que morreu anos depois, contos que foram comprimidos, flexionados e transformadas num filme. 

Capa do livro a esquerda e a do filme a direita


Dirigido pela novata Gia Coppola, uma estreante no mundo louco de direções e roteiros, embora nova no ramo, a mulher carrega no sangue os genes da Produção de filmes, é filha do produtor Gian-Carlo Coppola e neta do cineasta  Francis Ford Coppola. Como todo filme que retrata a juventude de forma profunda e melancólica, Palo Alto não foi diferente, você senta e assiste sentindo-se desorientado, por nunca ter uma direção certa a seguir, de certa forma isso é até bom porque foge de todo o pragmatismo hollywoodiano, nos provocando sensações diferentes. Você se identifica com os personagens em alguns aspectos e fica até deprimido. Palo Alto é um daqueles filmes que mexe com você sem um motivo aparente. Ou talvez, porque retrate as angústias joviais de forma tática e afetada.
Juventude pode ser entediante
Se me perguntarem sobre o que fala o filme, eu não saberia informar de imediato, diria que retrata a juventude da classe média californiana, todas as dúvidas, os medos, os amores, os corações partidos e as divergências, a recorrente falta de perspectiva, a dificuldade de comunicação entre gerações, o vazio existencial. Não há exatamente uma história, são ocorrências ao acaso que unem-se, cheios de êxtase e melancolia. Lendo essa minha descrição, isso parece bastante com A Vida (a vida em si), cheia de imprevistos, acaso, lágrimas e sorrisos. 
Ao mesmo tempo inquietante
O foco está em April, interpretado por Emma Roberts, que já protagonizou no papel principal de vários filmes e, no entanto, ainda não conseguiu a mesma notoriedade que sua tia já tinha na mesma idade (quase), a mídia quer lançá-la, obter êxito com essa jovem promessa de Hollywood, ainda não conseguiram o papel perfeito para Emma, mas um dia vão conseguir, a garota atua bem, devo dizer que até me surpreendeu um pouco, visto anteriormente sua atuação em American Horror Story, Se enlouquecer não se apaixone e em A Arte da Conquista, duvidei que conseguisse parecer insegura e tímida ou conseguir um pouco de profundidade como a April, mas ela conseguiu, não tão bem, mas pelo menos atingiu a naturalidade exigida para o papel, assim como qualquer outro.

James Franco é Mr.B (Oh god!) um professor de educação física divorciado com um filho, April é a baby sitter honorária da criança, o contato e a aproximação entre B. e April contribui para que o relacionamento entre os dois passe para outro nível. 






-Eu faço as coisas o tempo todo, sem motivo
-É porque você é jovem e você não sabe por que faz as coisas.

Teddy é interpretado por Jack Kilmer, um artista introspectivo, não sabe o que quer da vida (nem o que não quer dela), anda de skate (uma característica que lembra muito o Freddie de Skins) e vive sendo pego de surpresa por perguntas peculiares de seu amigo imprevisível, impulsivo e energético, Fred, que é interpretado por Nat Wolff o Isaac de A Culpa É Das Estrelas, suas perguntas são sempre sobre possibilidades como ''Se você pudesse voltar na Idade Média, quem você seria?'' ou coisas do gênero. 

Fred quer parecer sempre estar no controle da situação, embora não esteja nem no controle sob si mesmo, o que fica claro com essas perguntas. Ele é tão indefinido e confuso por dentro que sempre precisa de uma segunda voz para ajudá-lo a fazer suas escolhas mesmo isso não ficando claro no filme ''Foda-se, viva uma vida perigosa, viva uma vida perigosa'' é a frase que o define. A sua segunda voz é Teddy, que vive um amor platônico com April, chegando a cravar um coração numa árvore, que depois junto com Fred, ele corta, é claro, até mesmo porque não existe melhor remédio para corações partidos senão cortar árvores, eu faço isso sempre, é uma boa terapia. 

O real retrato da vida dos adolescentes, com uma naturalidade sem excessos surpreendentemente envolvente. 
A trama inicia-se com uma das perguntas peculiares de Fred para Teddy, impulsivo e imprevisível Fred acelera o carro em que ambos estão e bate numa parede, seguido de uma tragada do cigarro de April durante um intervalo individual no meio do seu treino de futebol, uma adolescente como outra qualquer, insegura incerta, meu sem graça, sem rumo, vencendo um dia de cada vez e esperando por um melhor. Possui dificuldades em redigir redações, e busca ajuda com seu ''suposto'' pai, (não fica claro no filme), que refaz suas redações. Sua mãe parece ser uma daquelas pessoas que crescem mas ainda tem a cabeça de um adolescente. Cigarros e uma fugida para o cemitério no meio da noite com Fred e Teddy é o suficiente para que Teddy apaixone-se por ela. 
Sempre esperando algo acontecer, nunca fazendo acontecer.  Com receios do que pode dar errado, evitando riscos.

Na mesma noite, Teddy fica frustrado ao ver April com outro garoto, mesmo sem ter certeza do que eles tinham, ele se entrega a outra garota, Emily, com quem faz sexo oral.

Querer melhorar mas ter sempre um empecilho do qual não consegue se livrar. 

Emily, uma menina vazia, que não sabe dizer não, que nunca se apaixonou, sentimental e que não se valoriza, é vista com certa inocência, fazendo sexo oral com vários garotos depois de sua experiência com Teddy,  principalmente com Fred, por quem não tinha sentimento algum, mas tente cultivar. Ela vive assim, a mercê, tentando descobrir um príncipe encantado começando por baixo, se é que me entende. 

Saber o que quer, mas na direção errada

Reviravoltas fazem com que Teddy dirija embriagado e bata num carro, sendo punido com serviço comunitário numa biblioteca infantil, onde as coisas vão bem até uma breve visitinha de Fred, Teddy começa a frequentar aulas de desenho, prática que possui grande afinidade e talento reconhecido por seu professor de personalidade peculiar, chegando até a levar Fred numa de suas aulas, aula em que o professor conta a ele uma  April, meio relutante, envolve-se com o treinador Mr.B por quem acaba se apaixonando. Mas após alguns beijos, ele começa ignorá-la durantes os treinos, o que a irrita, embora compreenda que uma relação entre aluna e professor seja inaceitável. Tanto treino deveria ter bons resultados, no entanto, nos jogos finais, April fica desconcentrada e seu time perde para o time visitante, ela segue para a casa do treinador onde o desejo fala mais alto do que qualquer fracasso. O problema é que April não era a única garota com quem ele se divertia. Ela corta relações com o treinador e resolve finalmente dar uma chance a Teddy, já no término do filme, Fred  acaba gritando "Eu não sou Bob", uma frase que ele pegou de um professor de arte como um mantra de afastar-se de morte, dirigindo na linha central um túnel. Tentando convencer a si mesmo ou a morte de que é imortal.  

As drogas, o sexo, a solidão em presença constante no filme tenta moldar e consolidar a ideia do que realmente adolescentes sentem e vivem nesse período tão incerto e turbulento da vida.
Mais tarde na vida olhamos para as coisas de uma maneira mais prática, em plena conformidade com o resto da sociedade, mas a adolescência é o único período em que aprendemos alguma coisa.


Confira o Trailer




Assista e diga o que achou :)

Ficha Técnica:

Data de lançamento9 de maio de 2014 (EUA)
DireçãoGia Coppola
Duração100 minutos
Lançamento em DVD9 de setembro de 2014 (EUA)

Música composta porDev HynesRobert Schwartzman 
Trilha sonora: Aqui 

Músicas que deviam estar na trilha sonora


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9 comentários :

  1. Parece ser muito interessante esse filme ! Não li toda a sua resenha , mas vi o trailer , bem legal , foge do clichê !

    www.aos-vintetres.blogspot.com.br

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  2. Eu achei muito muito legal! Não li tuuudo, fiquei com uma certa preguiça, mas acho que passei da metade. O filme parece ser muito interessante - deu pra ver pelas suas palavras e pelo trailer - foge daquela mesmice, muito bom.

    brancadenev3.blogspot.com

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    1. Ah eu sei, é chato ler essas resenhas. Tento fazer o possível para deixar o post com tudo que precisa ter e não ser exaustivo. Resenhas são resenhas! haha. Assista, o final parece ser sem graça, mas é meio poético.
      Beijo.

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  3. Querida, tô passando aqui pra avisar que eu indiquei você pra responder uma tag chamada Liebster Awards.
    Eu ficaria muito feliz se você respondesse!! Esse é o post com as perguntas:
    http://www.aos-vintetres.blogspot.com.br/2014/10/1210-respondendo-tag-liebster-award-11.html

    Beijoss, boa semana ;*

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  4. Gostei muito da sua descrição do filme, quero muito assistir :)
    beijos

    http://ladydiene.blogspot.com.br/

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    1. Hey Lady D. eu assisti nesse site http://megafilmeshd.net/palo-alto/
      Assista mesmo!

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  5. Anônimo16/2/15

    O filme é ótimo,estou apaixonada pelo James Franco (oh homem!) hehe

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  6. Anônimo6/5/15

    Mto massa o filme, retrata bem uma juventude sem saber ao certo que rumo tomar, a busca pelo prazer rápido e momentâneo, ausência dos pais em se interessar realmente em ajudar os filhos, e drogas pra fugir disso tudo !

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  7. Anônimo2/5/16

    Muito foda o filme,acabei de olhar ..����✨

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