Do Francês: Courage

15.1.15


s.f. Senso de moral intenso diante dos riscos ou do perigo; em que há ou demonstra bravura; intrepidez.
Confiança ou força espiritual para ultrapassar uma circunstância difícil; perseverança para enfrentar algo moralmente árduo.
Característica da pessoa que pode ser considerada nobre de caráter; hombridade.
Cuidado e perseverança no desenvolvimento de uma determinada ação; determinação.
(Etm. do francês: courage)

Ela parecia gente grande ao soprar a fumaça para o céu estrelado. Eu me sentia criança no meio de tanta gente descolada, com ar superior, gente do tipo que vive rápido e morre jovem, mesmo assim pareciam sempre saber demais, saber mais do que uma certa criança deslocada, cantada e molestada pela noite de brisa branda. 

A playlist inteira da Lorde rolava por nossos ouvidos, eu balbuciava as letras enquanto os outros ocupavam suas bocas com outras bocas; de outras pessoas ou de garrafas de cerveja cara. Alguns sugavam nicotina para os alvéolos dos pulmões, e riam tão alto que eu pensava ''Deus, que sortuda seria se eu pudesse ser alegre assim''. 

A insanidade era tátil, Walk do Foo Fighters, era intensamente nostálgica, nos fazendo acreditar que a noite era eterna e que nós seriamos internos eternos da juventude. 
Mas era nosso último dia lá, e o meu primeiro.

Todos eram súditos da Viela, plebeus que caiam bêbados em becos, que se beijavam e amavam como se o chão fosse partir debaixo dos respectivos pés seguindo uma trajetória incurável de ataques cardíacos e urgências, excitação e desejo. 

Naquela noite me apaixonei pelas ruas em que andei. Vejo como a juventude é precoce, seus efeitos ultra violentos amostra na pele ou na mente. 

Você olha para aquelas pessoas e... MedosReceiosAlegriasEuforiasAgoniasCorremJuntasERápidasSemInterrupçãoSemVirgulasIgnorandoAsPlacasVermelhasQueImploramParaQueParem.
Viva e deixe viver, se morrerem hoje, acenderemos velas amanhã, no sétimo dia levaremos flores e ao passar dos meses esqueceremos a pessoa, o corpo, os ossos, os pensamentos, o que é, e o mais importante: o que foi.

O que fomos? Onde fomos? Eu fui na Viela e ela morreu. Foi fechada. Falida. Encontrava-se em decadência da mesma forma daqueles que a frequentava. O cigarro foi aos lábios dela. Lacrado. Sugado. Por mim inalado. 

Ela não parecia mais gente grande, sua fumaça não mais flertava com as estrelas, e eu não mais com os garotos. Ela estava distante de mim, como sua mente estava distante do momento. E de repente a distância entre seus ossos e carne aumentava. Hoje estamos caminhando para aquele mesmo lugar que provamos no início de tudo, mas nosso tempo dispara porque estamos precocemente adiantados. 

Viela. Vi Ela. A vi. A via sempre do outro lado da rua, evitando entrar e tomar um café, e justo no dia que tive coragem, ela se foi. Para sempre. Não temo a morte, mas quando ela está tão perto é difícil não olhar.



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2 comentários :

  1. Simone, belíssimo texto!!!
    A última frase fechou com chave de ouro.
    E vamos ter coragem. Acho que é isso que preciso.
    Abraços Mika,
    Pensamentos Viajantes

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  2. Que lindo <3

    Adorei seu blog flor, e seus look's.
    beijos

    giihflore.blogspot.com

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