O Importante (ainda) é tentar

15.4.15

Eu lembro de ter 13 anos e ser viciada em Nirvana. Era muito mais do que música, palavras cantadas acompanhadas por uma melodia grunge melancólica e extremamente estridente e distorcida, as letras sempre soaram ao meu ouvido como a mais pura poesia, desculpe Leminski, mas Kurt também é o meu preferido. Não vivi o suficiente dos anos noventa pra poder sentir o suficiente da vibe da época, sorte a minha de estar tudo registrado em músicas, moda, estilo, livros, pensamentos e séries de tv.

Me identifico com Lithium, Dumb, Something in The Way... Ah, quando eu li sua carta de suicídio fiquei tipo 'cara realmente tinha algo no seu caminho'¹ e Maria, uma amiga que dividia seus fones de ouvido comigo no fundo da sala (onde ela sentava, sentávamos por ordem alfabética) chegou a escrever sua carta no fundo caderno, que eu me lembre ela fez duas cópias. 

Mas transformava-se em obsessão. Deus! O que esse cara tinha? De repente nós estávamos sendo transportadas para sua época, para todo aquele ar de Smells Like Teen Spirit, e nosso grito de guerra era mais ou menos 'School Sucks' ou 'Fuck The School', a gente não ligava mais. 

Maria sempre foi impulsiva, fala-na-cara e defendia seu ponto de vista até não ter mais unhas para serem cravadas. Era esse tipo de coragem que eu queria para mim. Seria isso coragem? Ou falta de vergonha na cara? 

Não sei, só sei que sempre fui calculista, principalmente aos 13 quando sentia que todas as frases e sentenças que saíssem por minha boca pudessem voltar contra mim, como um tapa forte no meu rosto. Deixei de dizer muita coisa, da quais, felizmente, não me arrependo. Eu queria ter essa rebeldia do período Nirvaniano* a qual Maria sucumbia. Eu queria falar o que me desse na telha sem me preocupar a quem eu iria atingir. Mas é claro que ela se deu mal algumas vezes, quem é que sai impune desse mundo? 

Um dia ela chamou o professor de ciências de palhaço em voz alta. Amei esse dia. Foi simplesmente hilário. Ele é realmente um palhaço.

Manti meus desejos rebeldes dentro do meu coração rebelde preso entre os pulmões e a caixa torácica. Isso não foi bom. Deveria ser, eu não estava machucando ninguém...

...Exceto a eu mesma. 

E não há outro jeito! Temos que encontrar um equilíbrio, desde a descarada covardia até a mais nobre rebeldia, mesmo que em seu cérebro haja somente a calmaria de um bom dia.  Temos que erguer nossa voz para fazê-la ser ouvida. Se algo estiver errado é pior cruzar os braços sobre o peito e virar o rosto do que apontar o dedo, levantar e fazer algo, discorda? 

Nosso querido Kurt tomou uma decisão um tanto drástica para poder resolver seus problemas, acho que ele não gritou o suficiente em In Bloom para ser ajudado. Para algumas pessoas é realmente difícil equilibrar as coisas, sentimentos, palavras, impulsos. O importante é tentar. 


|¹Associação a letra de Something In The Way, sendo a tradução ao pé da letra Algo no caminho. 

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2 comentários :

  1. Uma vez li um trecho de uma entrevista com uma moça que o conheceu quando ele veio ao Brasil e ela disse que ele era uma pessoa adoravel, mas que dava pra ver em seus olhos que ele era extremamente infeliz. Frances falou esses dias em uma entrevista à RS que não gostava de ouvir as músicas do pai, não a julgo, eu que gosto muito muito do Kurt não gosto de ouvir ele falando sobre suicídio, imagina como ela deve se sentir?
    Kurt era uma pessoa muito especial, via o mundo de um jeito que quase ninguém consegue ver, infelizmente absorver o lado negativo de tudo isso.
    E sobre as fases ''nirvanescas'' da vida, eu também já tive a minha e também foi aos 13! haha eu era super desligada 100% nem ai pra vida e por isso quase repeti de ano na escola porque deixava de prestar atenção pra ouvir música (bons tempos, ou não).
    Beijo ♥

    www.compartilhando-historias.blogspot.com.br

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  2. Aliás, linkei o blog no meu blogroll ♥-♥

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