É como estar na gaveta há muito tempo...

22.5.15
mesmerismo rotineiro, de repente, nada é real, tudo é igual.


As coisas que faço, as vozes que ouço, os dias que existo, tudo torna-se tão banal ao ponto que eu me sinta guardada, encaixotada em algum porão úmido. Essa dor ordinária de estar vivo é a percepção da realidade, ela não abandona os seres conscientes de sua existência. Alguns perguntam-se, como tornei-me tão oco? Pergunta pessoal. 

Vivo com a impressão de estar perdendo algo, perdendo o meu tempo, gastando-o imprudentemente, resignando-me ao cotidiano e nunca tentando algo Extraordinário : você ainda é jovem
Até quando? Até quando serei jovem? Quando chegarei ao ponto de estar perdendo tempo, gastando meus dias? Temo esse momento.

Descubro, então, para a infelicidade dos meus bloqueios, que só preciso sair da caixinha, pular da estante, escapar da gaveta escura e colocar as minhas mãos na massa.  Enquanto outras moças choram por conta de corações partidos, eu brigo contra meus bloqueios criativos. ''É como estar na gaveta por um longo tempo'' recortei letras, formei essa frase, colei em uma caixinha e dei para uma amiga, na época eu tinha mudado de escola e essa frase em definia. Eu me sentia guardada, escondida, um pontinho branco na multidão escura, até perceber que poderia ser o que eu quisesse, ninguém me conhecia ali. A palavra reinventar ganhou força, e foi ai que eu burlei definições, rótulos e personalidades, eu não preciso saber todas as falas de Harry Potter para ser fã, só porque sou nerd não preciso ir bem em todas as matérias, só porque namorei três caras diferentes em cinco meses isso não faz de mim uma galinha, isso me torna viva. 

Por que deixamos definições nos abalarem? Por que deixamos de viver com medo do vão dizer? Por que deixamos de fazer certas coisas com medo das consequências? O quanto você se permite viver? O quanto você tenta experimentar? A questão não é o quanto viveu e sim como viveu. Bem ou mau? Gostou? Se não arriscar nunca irá saber. 

Não quero viver com medo e aversão (como na música da Marina; Fear And Loathing), faça-te consciente de teu tempo, faça-te sensível a dor ordinária. 


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1 comentários :

  1. Que texto incrível e verdadeiro. Você escreve muito, muito bem, adorei, de verdade. Também sei como é se sentir presa dentro de uma gaveta, e até acho que isso faz bem pra gente de vez em quando. Mas também é bom sair de vez em quando e tentar ser um pouco mais nós mesmos.
    Beijo

    www.blogrefugio.com

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