Persistir dói

3.6.15

Ser humano multitarefa, como um robô, muitos almejam ser, embora sempre que nos dediquemos há varias atividades ao mesmo tempo, algo acaba dando errado. Despedaço-me no caminho para o êxito, volto-me para o reflexo no espelho ‘’por que ainda estou aqui? não seria mais fácil dar as costas e sair pela porta?’’. Uno os pés e dou mais um, três, cinco passos e faço de novo até o bom tornar-se um ‘’muito bom’’, até o muito bom chegar a ser uma maravilha e meus atos adquirirem sincronia. Alegro-me, esqueço-me e tenho que tentar tudo de novo. Como uma máquina velha, travo, arranco, paro, a ordem mecânica não segue o processo desejado pelos neurônios. 

O cansaço é mais do que físico, dou uma volta, acho que minha cabeça vai despencar no chão, como uma bola de sorvete. Agonizo em meu canto, recanto, e canto refrão, repito a canção, trilha sonora da persistência e os problemas se atolam: trabalho, métodos científicos, treinar a pronúncia em inglês, revisar matemática, terminar atividades, repassar assuntos, ver os amigos, os outros amigos, aqueles amigos, ser gentil, agradecer, voltar para casa, comer bem, lembre-se de mastigar, dormir oito horas diariamente, escrever, ouvir musica ver aquele filme maneiro que lançou, o novo episódio do Demolidor, adiantar a quarta temporada de Grey’s Anatomy

Vemos o fim de semana como a válvula de escape da rotina, esqueça! O fim de semana existe para que você seja capaz de por suas atividades em dia

Nada e ninguém é perfeito, você briga com o namorado, xinga os pais, chateia os amigos, desculpas não servem mais, agora eles querem que você lamba o chão em que pisam. As pessoas dizem que eu sou ignorante, eu prefiro o termo prática, não se aconchegue com palavras simpáticas e ações gentis, as melhores pessoas são aquelas que apontam seu erro e diz a você onde e como melhorar.  

Não gosto de perder tempo com conversas estúpidas, meu espírito é dinâmico, e meu corpo o segue sem perguntas. Meu forte nunca foi, e nunca será, relações públicas, sociais… Não gosto de perder tempo, eu preciso fazer cada momento da minha vida útil e produtivo, tenho que me erguer, mesmo sem o perdão, sem os agradecimentos, sem reconhecimento, sem palavras simpáticas, sem o café da manhã no estômago e persistir, mesmo que doa. 

Disintegration é o álbum lançado pelo The Cure em 1989, suas músicas representam bem o que descrevi no texto, como se eu estivesse me desintegrando ao tentar conseguir tudo que quero. 

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