Resenha Literária: Half Bad, uma metade boa a outra não tão boa assim

23.3.16
Usando minha irmã de modelo porque ela finge simpatia melhor que eu
★★★★
FICHA TÉCNICA
Título: Half Bad

Título Original: Half Bad

Autora: Sally Green
Nº de páginas: 301
Editora: Intrínseca
Ano: 2014

 Sinopse
''Nathan, filho de uma bruxa da Luz com o mais poderoso e cruel bruxo das Sombras. O adolescente vive com a avó e os meios-irmãos e é visto como uma aberração por seus pares. O Conselho dos Bruxos da Luz vê nele uma ameaça, que precisa ser domada ou exterminada. Prestes a completar dezessete anos – época em que todos os bruxos passam por uma cerimônia em que seu dom é finalmente revelado bem, como sua denominação como bruxo da Luz ou das Sombras –, agora Nathan terá que correr contra o tempo para achar o pai, que jamais teve oportunidade de conhecer, e salvar a própria pele.''
Há uma carência de informações sobre essa obra disponível em português na Web, então resolvi trazer a vocês um pouco da minha experiência com Half Bad. 

Ao ler as primeiras frases do livro, ainda na loja, minhas sinapses vibraram 'É esse que vou levar'. A linguagem incomum em romances da categoria Fantasia, uma grande quantidade de pontos finais, um cenário confuso, mistérios, e um acúmulo de 'por quês' me levaram a vencer os primeiros capítulos e partes na qual é dividido. Cativante, sim, cativante! 

"Ali estão dois garotos sentados juntos, espremidos entre os braços da velha poltrona. Você é o da esquerda. "

Nem sempre as primeiras impressões são as que ficam, as tais impressões estão sempre sujeitas a alterações de acordo com o desenrolar do enredo e progressão dos personagens. E o que parecia ser uma história perfeita a ser consumida a curto prazo, equivalente a um fim de semana, transformou-se numa saga tortuosa em que a leitura, antes gratificante, revela-se difícil de continuar, por fim tornando-se uma meta imaginária obrigatória.

Vencer as 301 páginas foi um desafio. Vencer todas as 301 páginas foi uma experiência semelhante as leituras curriculares da matéria de Literatura. Antes de prosseguir com a parte técnica da coisa, vamos aos meus esclarecimentos: meu forte não é resenha. Minha franqueza é sem escrúpulos e para ser mais do que sincera, estou um pouco cansada de ver resenhas dos mesmos livros em diferentes blogs relatando sempre os mesmo aspectos. Poxa, eu quero sensatez ao ler uma indicação literária e isso é raro de encontrar. Por essas e outras estou trazendo Half Bad ainda em sua primeira edição brasileira, lançada no mercado em julho de 2014, porque além de ser um livro sem visibilidade comercial é uma produção que me deixou concepções ambíguas.

Os tijolos do universo Half Bad são construídos em uma Inglaterra compartilhada por bruxos e humanos sem, no entanto, se misturarem. Existem dois tipos de bruxos, os da luz, que vivem uma dualidade social sendo ora carrascos ora mocinhos, em sua maioria, vistos com maus olhos pelo personagem principal Natham Byrn. E existem os bruxos das sombras, os bad guys da trama, a minoria que é combatida e reprimida por seus hábitos raciais desaprovados pelos bruxos da luz. Um dos hábitos que pode ser destacado é o de comumente bruxos das sombras assassinarem as matriarcas da família, seria esse um ritual cultural? Ou a crueza da índole? E então entramos no aspecto social abordado superficialmente em Half Bad, não somente por conta da comunidade bruxa dividida, mas, principalmente por conta de Nathan ser um meio-código, ou seja, ser a cria de uma bruxa da luz com um poderoso e temido bruxo das sombras, porque o que já está ruim pode sim ser piorado...

...E muito, pois Nathan sofre inúmeros tipos de violência, étnica, social, física e verbal, sua juventude é repleta de cicatrizes e restrições impostas pelo conselho regido por bruxos da luz. Um personagem marcado, sofrido, um bocado resignado e com uma beleza sombria que chama a atenção. 


Sally Green

O primeiro capítulo do livro é instigante, os seguintes ainda mais, no entanto a leitura fica sóbria, sem grandes evoluções, num status quo incômodo que nos leva ao abandono do livro para empoeirar na estante ou a uma leitura maçante e cansativa. 

Não sei se o toda a humilhação e sofrimento imposto a Nathan foi uma jogada de Sally Green a fim de incitar a empatia do leitor para com o personagem, ou se ela tem algum objetivo ainda a ser explorado na sequência Half Wild (que foi lançado ano passado). Os personagens são rasos, os fatos previsíveis, o desfecho insosso, diálogos fáceis de seguir e compreender. Também não tenho a mínima ideia de como o livro conseguiu   prêmios no exterior ou ser aceito pela Intrínseca para ser publicado no Brasil.

Por outro lado Half Bad é classificado como literatura infanto juvenil, com linguagem fácil, enredo sem grandes construções, talvez justifique um pouco essas minhas impressões um tanto negativas. O público alvo são os pré adolescentes. E obviamente que alguém acostumado a histórias altamente arquitetadas e complexas, talvez rejeite a simplicidade na qual os fatos emergem. É uma das minhas visões acerca da obra. No entanto temos Harry Potter  aí no mercado para botar essa minha suposição por terra. Comparação injusta, é verdade, porém deve ser levada em conta. Justifica o desleixo estrutural?

A estrutura textual na qual a história é desenvolvida é incomum um fator que me cativou, particularmente. Ele é dividido em seis partes com os primeiros capítulos minúsculos, apresentando um dinamismo que desaparece no decorrer da leitura.


Não é um livro que indico, mas mencionaria para aqueles que estão iniciando esse caminho mágico literário, entre poções, bruxos, feitiços e fissuras no espaço-tempo que podem ser atravessados de um lado para o outro. Fiquei sim curiosa sobre a continuação do livro, Half Wild, já mencionado, não sei se sou corajosa o suficiente para arriscar meu tempo e paciência com uma história que não me agradou de uma forma completa. Apesar da resenha estar um pouco negativa, posso resumir o livro numa única frase: Half Bad tem duas metades, uma metade boa a outra não tão boa assim.


A estética física do livro é incrível, título em alto relevo sob uma capa aveludada dual, cuja frente é negra e as costas brancas deixando exposta a flor da capa essa divisão entre as duas facções bruxas. O papel de miolo é pólen, as clássicas páginas amareladas que não cansam a visão.

O terceiro livro da saga será lançado neste ano de 2016 intitulado Half Lost, e os direitos para adaptação cinematográfica já foram vendidos para a FOX 2000 com 
Karen Rosenfelt na produção. Então para quem não conhece e quiser se apaixonar com bruxos, feitiços e dramas simples, investir nessa jovem saga, o momento é agora. 

Trailer do livro

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