Resenha Literária: Os Homens que não amavam as mulheres - Trilogia Millennium

18.5.16

★★
FICHA TÉCNICA
Título: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Título Original: Män som hatar kvinnor
Autora: Stieg Larsson
Nº de páginas: 528
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2005

Os homens que não amavam as mulheres é um enigma a portas fechadas - passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. E que um Vanger a matou. Quase quarenta anos depois, o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mikael descobre que suas inquirições não são bem-vindas pela família Vanger, e que muitos querem vê-lo pelas costas. De preferência, morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados - de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois... até um momento presente, desconfortavelmente presente.
Os Homens que não Amavam as Mulheres é um romance criminal sueco, perspicaz, saturado de sagacidade e originalidade, provavelmente a melhor obra do gênero do século que toma considerações, não sobre o ódio entre os sexos, mas da presença da violência contra as mulheres em todas as suas formas, como um lembrete ''isso ainda existe, isso existe e é real''. A violência contra mulheres não é o ponto central, mas um dos temas tratados com excelência por Larsson, assim como a crítica econômica imbuída em passagens um tanto raivosas, eu diria, mas classudas.
O início da leitura é algo para leitores fortes, pois todas resultantes no decorrer das páginas interdependem da ambientação criada por Larsson, uma base que se ergue a cada capítulo em hastes que abraçam todo o âmago do romance.


Contamos com uma gama de personagens complexos e... bem, muitos, muitos personagens para memorizar os nomes e lembrar quem é, ou o que faz, no entanto podemos contar com  listinhas e uma árvore genealógica disposta logo no começo do livro, no seu interior é comum se deparar com mapinhas e listas, isso, de certa forma ajuda o leitor a localizar-se e organizar os seus pensamentos, Millennium não é apenas uma trama bem armada, é um convite para uma experiência intensa e impactante, onde os sensíveis devem forrar o estômago a fim de preparar-se para fortes emoções e revelações. E não só isso, a leitura torna-se excitante gradualmente, os fatos tomam forma com certa lerdeza, necessária para o grand finale. Minha dica pessoal é: não desista. 
A execução dos fatos, a ordem é exata, precisa, há um excesso de informação que se dilui com destreza a medida que se lê, o livro em complexo é uma experiência aterradora, pois planta questões em você... que até então seu cérebro não havia ousado em pensar.
Outra coisa interessante é a divisão do livro, ocorre em partes, quatro partes, se não me engano.
Antes de Mikael Blomkvist que é um jornalista da revista Millennium,  conhecer Lisbeth Salander uma hacker que atende pelo nome de ''Vespa'' na Web, a história é narrada ora pelo ponto de vista de Salander, ora por Blomkvist, e tudo em terceira pessoa, é um aspecto interessante porque dinamiza a leitura até certo ponto, criando apego a um personagem, nos provocando aquela necessidade de passar logo por um capítulo para saber o que Lisbeth ou Mikael irão fazer, enfim.
Sucintamente, posso dizer que a história consiste numa investigação informal feita por Salander e Blomkvist que foram contratados por Henrik Vanger, como foi anteriormente relatado na sinopse, temos aí duas personalidades diferentes, uma punk, e um jornalista econômico de meia idade que acabou de ser acusado de difamação por um dos magnatas da suécia, ambos confinados numa casa em Hampstead, a fim de montar o quebra cabeça bagunçado sobre o desaparecimento de Harriet Vanger. E não é só o desaparecimento dela, temos muito mais em jogo, posso citar a falência da revista Millennium, a relação indefinida entre Mikael e Erika a editora da revista, ameaças de morte, violência sexual, chantagens, muita poeira e mistério, mas muito, muito mistério. 

Quanto a minha opinião pessoal, bem, eu amei esse livro e estou disposta a ler os outros 3, sim, Millennium inicialmente era uma trilogia, mas no ano passado fora lançado A Garota Na Teia De Aranha, um lançamento póstumo do autor feita por David Lagercrantz. É o tipo de obra, que vale a pena ler e ter o livro físico. 

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1 comentários :

  1. Si, sua maravilhosa! Adorei a resenha. Captou bem os pontos de lições e críticas principais abordadas pela obra. Ainda não li o livro, mas vi o filme e adorei as entrelinhas sagazes. Com certeza depois dessa resenha (que refrescou a memória e trouxe para além!) vou querer devorar as linhas a mais com completude.

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