Um eco emocional: Not To Disappear Album Review

21.9.16
Capa - Album 'Not to Disappear'
★★
Título: Not To Disappear
Lançamento: 15 de janeiro de 2016
Artista: Daughter
Gravadora: Glassnote Records
Gênero: Folk, Pop Alternativo

Nossa. Três anos depois de "If You Leave'', havia a sensação de que não teríamos mais nada da Daughter, um trio inglês liderado por melodias atmosféricas, adornadas pelo folk e agora pende para o rock alternativo sem ser arrancado de suas raízes indie, e de repente para nossa surpresa e alegria instantânea, o medo de ser abandonado legado pelo álbum antecessor é substituído pelo medo do esquecimento, que é um dos principais moldes de  'Not To Disappear' segundo álbum de estúdio da banda que têm quatro Eps, clipes puramente emocionais e uma apresentação live pela Air Studios, não 'de tirar o folego' mas de reensinar a respirar, pois são incrivelmente feéricas com arranjos incríveis. 
A perda fica clara como tema em versos como "Mas você não vai me dizer que / Porque você sabe que dói-me cada vez que você diz isso", "E você sabe que está fazendo a coisa certa." presentes em 'Doing The Right Thing', que é uma das canções dolorosamente intensas que lidam com a decadência e o desvanecer.  E é com essa canção que somos encaminhados para um pesar empático tratado nessa obra, se 'If You Leave' era algo egoísta, 'Not to Disappear' soa mais como ''temos essa dor aqui. Vamos esgotá-la, vamos sentir''. Há uma frieza particular nessa faixa, uma ordinariedade humana que transmite raiva. ''E eles estão fazendo as crianças\ E eles estão fazendo amor\ Com suas velhas desculpas\ Estamos construindo para reprodução''.  E uma conformidade com a banalidade da existência humana extra soturna ''Então eu vou perder os meus filhos\ Então eu vou perder meu amor''. É nesse momento que há a entrega... Tão cedo, loga na premissa.

Perda, aversão e solidão são grandes temas em reflexões de fluxo de consciência de Elena Tonra (vocalista) em 'Alone/ Without You', temos uma relação que já se desgastou em que ''Eu odeio viver com você\Eu deveria arrumar um cachorro ou algo assim''.  
Em ''New Ways'' ela  canta ''Eu estou tentando sair, encontrar uma maneira sutil para fora / não cruzar-me para fora, para não desaparecer."  As canções não exatamente melancólicas, são intensas e bem construídas chegando a serem comparadas com o álbum CoeXist do The XX.

Em 'No Care' há elegância, um tanto esquizofrênica, as palavras hostis são cuspidas e o olhar fixo em nada, em você, e no papel de parde revestem o mundo sombrio e frágil num eco emocional que perdura na mente mesmo depois das faixas terem se esgotado. Pungente e mais presente do que nunca seu sofrimento é um exorcismo emocional em que todos nós podemos encontrar força.

As críticas que geralmente leiam a esse tipo de trabalho com peso emocional que tratam de temas sombrios e soturnos, são negativas. E não consigo entender o porquê. A tristeza é feia é isso?
Discordo, pois Not To Disappear é uma obra maravilhosa e deve receber a atenção merecida.


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